O empreendedor Elon Musk deu ontem um grande passo para tornar real seu sonho de levar seres humanos para viagens no espaço: sua empresa aeroespacial, a SpaceX, realizou com sucesso o primeiro teste do Falcon Heavy, seu mais poderoso foguete até então – e o com maior capacidade de transporte já lançado por uma empresa privada.

Com 27 turbinas, o foguete partiu do Kennedy Space Center, localizado no Cabo Canaveral, na Flórida, às 18h45 de ontem (horário de Brasília). Em pouco mais de dez minutos, o Falcon Heavy liberou a nave para o voo espacial e viu suas turbinas voltarem à Terra. A cerimônia de lançamento foi cheia de simbolismos: a base usada pela Space X é a mesma de onde partiu a Apollo 11, primeira espaçonave a chegar à Lua.

Além disso, o foguete enviou para o espaço uma nave com o carro esportivo Tesla Roadster a bordo. A meta é fazer o veículo, outra criação das empresas do visionário Musk, chegar próximo da órbita de Marte, planeta que o próprio executivo já disse ter a intenção de colonizar num futuro próximo.

 

Para fazer piada, a SpaceX colocou um manequim pilotando o carro – o boneco foi apelidado de “Starman”, em referência ao sucesso do cantor inglês David Bowie. “Adoro a ideia de um carro dirigindo sem destino pelo espaço e sendo descoberto por uma raça alienígena daqui a milhões de anos”, brincou Musk, em sua conta no Twitter.

Sem rival. Feito a partir de três foguetes Falcon 9, um modelo anterior da empresa, o Falcon Heavy é hoje o maior foguete do mundo – e só perde em capacidade de transporte para o Saturn 5, utilizado na época da exploração lunar pela Nasa.

O modelo é capaz de carregar até 70 toneladas, a um custo de US$ 90 milhões por lançamento – um quarto do custo do maior foguete existente na frota americana hoje, o Delta 4, feito por uma parceria entre a Lockheed Martin e a Boeing. A principal vantagem do foguete da Space X é poder reutilizar suas turbinas – que retornam à Terra após o lançamento.

O lançamento bem sucedido pode dar ao bilionário do Vale do Silício vantagens em contratos com a agência espacial americana, a Nasa, bem como empresas de satélites e o exército americano. Com o Falcon Heavy, a SpaceX pretende disputar o mercado de missões de órbita geoestacionária, podendo lançar satélites usados em missões de defesa e telecomunicações. O foguete, porém, não deve ser usado em missões de exploração. Na semana passada, Musk revelou que a SpaceX está trabalhando em um sucessor para levar passageiros.

O governo Trump já sinalizou que a Nasa pode fazer parcerias com empresas para lançar a primeira parte do Deep Space Gateway, uma base situada na órbita lunar que poderá substituir a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) e servir como base para missões à Marte.

 

Com Estadão

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